quinta-feira, dezembro 14, 2006

Vou à padaria



Sempre precisei enfrentar dias monótonos para chegar aos dias de caos completo. Sempre procurei esclarecer as dúvidas que tinha acerca do significado das coisas e sempre abri os pacotes que me causavam curiosidade. Sempre esqueci o guarda-chuva em casa quando estava chovendo e quase sempre colei chiclete na cadeira do cinema. Ontem abri um gibi de historinha em quadrinhos. Um gibi de Super-heróis. “Geralmente os Super-heróis são frutos da invenção humana, da fantasia e da ficção. Na sua grande maioria, podem usufruir de superpoderes que não são comuns aos simples mortais, grande força, uniformes e máscaras que ocultam a verdadeira identidade.”
Superman
Batman
Flash Gordon
Lanterna Verde
Aquaman
Ajax
Mulher Maravilha
Homem Aranha
O incrível Hulk
Chapolin Colorado
E até Dardevil- o demolidor no Brasil.
Além de dezenas de outros que tive preguiça.
Infinitamente cansada fiquei pensando se existe a possibilidade de um dia toparmos com o Incrível Hulk na esquina ou com um dos fabulosos X-Men na fila da padaria.
Nunca havia me interessado por Super-heróis mas a possibilidade de eles realmente existirem e serem alguém estranho. Ou próximo...
Fiquei pensando que minha avó podia ser Super Heroína. Além dela se drogar muito (pra aproveitar o trocadilho), várias vezes ela fazia coisas mágicas e ninguém desconfiava porque logo se inventava algum motivo concreto para provar o feito. Meu cachorro também podia ser super herói - minhas calcinhas somem durante uma semana e aparecem furadinhas nos lugares mais improváveis, como dentro da geladeira, debaixo do colchão, etc, etc, etc.
E a minha vizinha, que sempre sai de casa de manhã e nunca volta. Mas sai de novo de manhã. E olha que eu já fiquei madrugadas inteiras plantada na porta esperando ela chegar pra desvendar esse grande enigma.
E milhões de outras pessoas que eu sempre desconfiei. O porteiro do meu prédio que sabe até a cor do meu sutiã, minha tia avó que morreu no dia que quis, e milhões de outros enigmas vestidos de pessoas que passam pela gente todo dia e transbordam seus olhares enigmáticos por trás das capas invisíveis.
Sempre fui meio preguiçosa pra pensar nas coisas, mas isso de pensar que todo mundo pode ser um Super Herói me angustia a alma.
Sempre pensava em ser escritora quando crescesse. Cresci antes de poder imaginar como seria. Preferi seguir o caminho que já sabia de cor:
Decidi ir à padaria.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu ouvi em primeira mão! \o/