Trinta e seis dias dos namorados
No início e no fim.
Olhou-se vagarosamente deixando cair sobre o espelho um chumaço fino de seus longos cabelos alisados com chapinha quente. Deixou de retocar a maquiagem borrada. Colocou por sobre a saia curta branca engomada um cinto cor de rosa. Baixou o volume do som.
Era sempre mais de meia noite e ela nunca conseguira um namorado que lhe trouxesse flores azuis.
Roberto trouxera rosas cor de rosa: -frágeis demais, eu sou muito forte!
Pedro lhe trouxera rosas vermelhas: - É muito clichê! Eu sou original demais!
Daniel lhe troxera girassóis, : - Girassóis cheiram forte, eu sou alérgica demais!
E num acesso de choro arritimado demais, completamente involuntário demais, (já que ela era controlada demais), gritou, convicta demais:
Quero rosas azuis!
Silêncio.
Ninguém ouviu.
A esta altura todos ja estavam longe demais.
Ela pensou que talvez o mundo fosse demais para uma menina tão especial, tão linda, tão meiga, tão doce, tão inteligente, demais. Tudo de mais.
No início e no fim.
Olhou-se vagarosamente deixando cair sobre o espelho um chumaço fino de seus curtos cabelos alisados com chapinha quente. Limpou a maquiagem borrada. Tirou da saia curta engomada o cinto cor de rosa. Aumentou o volume do som.
O sangue manchado de azul escorreu pelo chão do quarto.
Era tarde demais.
Ao som de madonna em "like a virgin", cai sobre o chão "O casamanto de Dona Baratinha". Aberto na página 36.
segunda-feira, junho 13, 2005
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Um comentário:
ÊÊÊÊ, primeiro a comentar da vida do blog!!! Sua cara tudo, Vê, o texto, o formato, o rosa... Divulgaaa!!! Não entendi o "Casamento da Dona Baratinha". Sou lento......
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